MARKETING, ESTUDO DE CASO
VIVO, A GIGANTE DA
TELEFONIA MÓVEL NO BRASIL
O ambiente competitivo no mercado brasileiro de telefonia
móvel conta com quatro grandes empresas: Vivo, Telecom Italia Mobile (TIM), Oi
e Claro, além de outras menores: Telemig Celular, Amazônia Celular, CTBC
Celular, Sercomtel Celular e Nextel, sendo que esta última oferece a opção de
comunicação por rádio ou por rádio e telefonia celular. As quatro maiores
empresas competem, em muitos casos, nas mesmas regiões, dada a ampla cobertura
de cada uma delas. Apesar do forte crescimento, trata-se de um mercado ainda em
expansão.
No Brasil, o número de aparelhos celulares ultrapassou o de
aparelhos fixos nos últimos meses de 2003; Brasília é hoje a cidade com a maior
concentração de celulares: são 77 aparelhos para cada 100 habitantes. A
participação de mercado das quatro maiores empresas e do consolidado da Telemig
Celular (TMG) e da Amazônia Celular (AMZ), no primeiro trimestre de 2004, deixa
claro que a Vivo é líder de mercado, com 45 por cento, e seus principais
concorrentes são TIM (19 por cento de participação), Claro (20 por cento) e Oi
(9 por cento). A TIM é uma das maiores empresas de telefonia móvel do mundo,
atendendo mais de 43 milhões de pessoas em mais de dez países. Ela chegou ao
Brasil em 1998, operando seus serviços a partir de 2002 e detendo a maior
cobertura do mercado.
A empresa se diz pioneira em tecnologia e serviços,
oferecendo roaming internacional para diversos países dos cinco continentes. Em
razão disso, seu posicionamento é: “TIM: viver sem fronteiras”. A Claro,
pertencente ao grupo mexicano Telecom Américas, representa a união de diversas
marcas que já atuaram de forma separada no mercado brasileiro, como Americel,
ATL, BCP, BSE, Telet e Tess. A marca Claro foi introduzida no segundo semestre
de 2003, segundo a empresa, “com o compromisso da ética, da transparência e da
clareza (...) e com o atendimento voltado a um único objetivo ouvir seus
clientes para ser sempre uma operadora do jeito que você quer”.
A Oi, pertencente ao grupo Telemar, é a única empresa do
mercado de telefonia móvel totalmente brasileira. Ela se posiciona como direta,
moderna e “simples em tudo, do próprio nome ao jeito de lidar com os clientes e
fazer negócios”. Pela análise do site de cada empresa, assim como de sua
comunicação na mídia (principalmente televisão e mídia impressa), é possível
concluir que todas focam o consumidor jovem, além do mercado empresarial. A Oi
direciona-se mais especificamente ao público infantojuvenil, com os celulares
Oi Xuxa. Outro ponto relevante é que a TIM e a Oi reforçam, em sua comunicação,
o fato de utilizar a tecnologia GSM.
A construção da marca Vivo Em dezembro de 2002, os grupos
Portugal Telecom e Telefónica Móviles formalizaram uma joint-venture que uniu
suas operações celulares no país (Telesp Celular Participações S.A., Tele Leste
Celular Participações S.A., Tele Sudeste Celular Participações S.A. e Celular
CRT Participações S.A.). No início de 2003, foi adquirida a TCO (Tele
Centro-Oeste Celular S.A.), ampliando a presença da empresa para um total de 19
estados, além do Distrito Federal, o que equivale a cerca de 86 por cento do
território nacional, numa região que responde por 83 por cento do PIB
brasileiro. Com a TCO, a base da Vivo passou a somar, na época, 16,8 milhões de
clientes.
Em 13 de abril de 2003, foi lançada a marca Vivo, que criou
uma identidade única para as operações do grupo. O mercado de telefonia celular
no Brasil é muito atrativo, pois a taxa de penetração no país é de apenas 26
por cento, o que indica um grande potencial de crescimento. Os segmentos que
mais oportunidades oferecem são os jovens, a população de classes mais baixas
(classe C, pelo critério da Associação Brasileira de Anunciantes e da
Associação Brasileira dos Institutos de Pesquisa de Mercado — ABA/ Abipeme) e o
mercado corporativo. A base de celulares pré-pagos corresponde, em média, a 80
por cento do total. Atualmente, uma parcela expressiva de usuários de pré-pago
é composta de jovens de classe média, atentos às novidades da comunicação móvel.
Nesse contexto, a Vivo busca, segundo palavras de seu presidente, liderança
crescente e sustentável.
A empresa almeja o poder de mercado, visando posicionar-se,
no curto prazo, entre as cinco maiores operadoras de celular do mundo. Dadas as
características do mercado, a estratégia de crescimento da Vivo foca-se na
penetração de mer cado. Quanto à
estratégia competitiva, a empresa claramente escolheu a diferenciação, e seu
posicionamento de mer cado baseia-se na inovação. Sob seu ponto de vista,
inovação traduz-se em proporcionar aos clientes aparelhos mais modernos,
práticos, sofisticados, bonitos e com mais funções. Para tal, a empresa
considera os fornecedores seus principais parceiros. Além dos aparelhos, a
empresa procura inovar nos serviços, como o Vivo ao Vivo, que transporta para a
tela do celular o modelo de navegação Web, por meio de ícones padronizados dos
serviços, facilitando o acesso dos usuários.
Inovar também
significa lançar jogos multimídia, como o Vivo em Ação, evoluir em tecnologia e
no atendimento de call center, buscando maior aproximação com o cliente. A
marca foi criada por meio de uma megaoperação, que, em um único fim de semana,
transformou toda a identidade visual da empresa e de suas lojas, acompanhada de
uma forte campanha voltada para o consumidor. Para a criação da marca, foi
contratada a agência Wolff Olins e, para a escolha do nome e do logotipo, foram
realizados estudos de semiótica e pesquisas qualitativas (grupos de foco) com
consumidores, para selecionar os que melhor transmitiam o novo posicionamento
da marca e da empresa. De acordo com um diretor da empresa, a adoção de uma
marca única tem o papel de integração interna, promovendo uma padronização de
caráter nacional. O objetivo foi unificar e fortalecer a cultura da empresa,
gerar sinergia e reduzir custos pela padronização de materiais de divulgação,
entre outros.
Quanto à identidade, segundo um representante da empresa, a
marca Vivo é algo com vida, emoção e espírito. Se fosse uma pessoa, seria
alguém simpático, com uma atitude moderna e interativa. As cores institucionais
da Vivo são laranja, verde, azul e vermelho. Todas são utilizadas na
comunicação visual da marca, ao mesmo tempo (em outdoors, por exemplo) ou
alternadamente (em anúncios de revista), mostrando como a marca é ‘viva’.
Assim, a Vivo pretende projetar uma imagem jovial, transparente, de proximidade
com o cliente e de inovação.
Para tal, o posicionamento psicológico adotado foi: “Vivo é
você em primeiro lugar”. Para o lançamento da marca, foram investidos cerca de
40 milhões de reais, incluindo propaganda, eventos e redesenho das lojas, entre
outras atividades. Para a propaganda, os meios de comunicação utilizados foram
televisão, rádio, revista, jornal, outdoors e Internet. Além disso, a empresa
investiu em relações públicas. Assim, desde o lançamento, a Vivo tem feito
muito mais do que propaganda para construir sua marca e reforçar o conceito de
modernidade e inovação, especificamente:
• Patrocínio de eventos: São Paulo Fashion Week e Vivo Open
Air.
• Loja carro-chefe: em
26 de junho de 2003, foi inaugurada uma megaloja, localizada na Avenida
Paulista, em São Paulo; o espaço, com 1.200 m², apresenta um modelo inédito no
setor de telecomunicações. Segundo a empresa, a Vivo trouxe para o Brasil esse
modelo de atendimento, vendas de produtos, serviços e demonstração de
tecnologia sem fio com base em operações bem-sucedidas nas matrizes dos grupos
acionistas na Europa.
• Campanhas de marcas combinadas com os principais fornecedores
com o objetivo de lançar produtos e serviços e fazer promoções, como no Dia das
Mães e no Dia dos Namorados, foram firmados acordos com Nokia, Motorola,
Samsung, LG, Kyocera e outros. As propagandas combinadas também são uma prática
comum no grande varejo, em parceria com amplas lojas que vendem celulares.
Segundo a empresa, “essas campanhas trazem vantagens aos dois lados, pois se
economiza no custo total e se divulga massivamente”.
• Marketing cultural: além de patrocinar eventos culturais
(por exemplo, o evento goiano Caldas Fest Folia), com o objetivo de gerar
identificação com o público-alvo e apoiar ações que tragam educação e cultura à
população, a Vivo mantém o Museu Vivo, no interior paulista, e o Espaço
Cultural Vivo, em sua sede em São Paulo. Sua proposta é “democratizar o acesso
da população a eventos de qualidade e difundir a cultura e as artes produzidas
no Brasil, incentivando a inclusão social”. O espaço em São Paulo conta com o
Teatro Vivo, que concede desconto na compra de ingresso a clientes que fazem
parte do Programa Vivo Vantagens, e com o Espaço de Artes Visuais, que
apresenta exposições de artistas brasileiros, contemplando arte moderna e
contemporânea. O acesso às exposições é gratuito, algo simpático tanto para
funcionários quanto para clientes.
• Marketing esportivo: de acordo com a empresa, a Vivo
periodicamente patrocina eventos esportivos, para associar a marca a
jovialidade, dinamismo, esporte e lazer. Exemplos de eventos patrocinados são:
Jaguariúna Rodeo Festival, Helvetia Polo Day, Match Race, Expointer e Circuito
Empresarial de Golfe.
• Visual do
edifício sede: por fim, a própria sede nova da empresa, em São Paulo, pretende
transmitir o posicionamento da marca, com design moderno e arrojado.
Outros pontos importantes para construir uma marca sólida são:
desenvolver uma personalidade e estabelecer conexões emocionais com o
consumidor. Além de tudo o que foi descrito, a Vivo investe em responsabilidade
social. Por meio do Instituto Vivo, a operadora apoia e desenvolve projetos de
educação, meio ambiente e voluntariado, com a missão de “promover a cidadania,
compartilhando os valores e a experiência da Vivo com a sociedade”. O instituto
estabelece parcerias com organizações não governamentais (ONGs), outras
empresas, instituições públicas, governos e universidades.
Além de gerenciar investimentos de responsabilidade social, o
instituto agrega a função de disseminar conceitos e práticas de
responsabilidade social para os públicos que se relacionam com a Vivo. Em 13 de
abril de 2004, a marca comemorou seu primeiro ano, atingindo a cifra de 22
milhões de clientes. A empresa é a décima operadora de telefonia celular do
mundo e a primeira do hemisfério sul, com participação de mercado de 45 por
cento, em todo o Brasil, e de 56 por cento, em sua área de cobertura.
Ainda em abril de 2004, a marca foi top-of-mind no mercado
brasileiro, com 50 por cento de reconhecimento, percentual duas vezes maior que
o da segunda operadora, conforme pesquisa da empresa. De acordo com
representante da operadora, é crescente a percepção das pessoas quanto aos
diferenciais da Vivo, sendo ela a marca mais associada à inovação e à
tecnologia.
Fontes: M. S. Corrêa, “Vivo: estratégia competitiva, construção de
uma nova marca”, Revista da ESPM, jan./fev. 2004, p. 110-123; M. França, “Vivo
alcança 22 milhões de assinantes”, O Globo, 6 abr. 2004, p. 26; M. F. Delmas,
“Pré-pago sem preconceito”, O Globo, 23 jun. 2004, p. 25; “Brasília: a capital
do celular”, Veja, 2 jun. 2004; www.claro.com.br; www.ibd.org.br;
www.oi.com.br; www.tim. com.br; informações fornecidas por representantes da
empresa Vivo, em abril e maio de 2004.

Nenhum comentário:
Postar um comentário