MARKETING ON-LINE
AMAZON.COM, A MAIOR
LIVRARIA ON-LINE DO MUNDO
A Amazon.com é uma livraria eletronica dos
Estados Unidos com sede em Seattle, estado de Washington. Foi uma das primeiras
empresas a vender produtos na Internet.
Hoje é a gigante mundial na área de livros on-line.
Em julho de 1995, a Amazon lançou-se como a ‘maior livraria
do mundo’. No entanto, era uma livraria virtual que não possuía fisicamente um
livro sequer. Muitos questionavam se o canal on-line era apropriado para
livros. Sem percorrer as prateleiras e examinar os volumes, tal qual faziam nas
lojas, como os compradores poderiam decidir se iam gostar ou não da obra? Sem
uma equipe de atendentes atenciosos e bem informados, como o comprador
encontraria o livro certo? O único lado positivo do novo canal era que a Amazon
podia oferecer uma variedade muito maior de títulos do que a maioria das
livrarias tinha à disposição.
A Amazon procurou copiar as características de uma livraria
física em seu site. Primeiro, reproduziu os conselhos da ‘equipe de atendentes
atenciosos e bem informados’ na forma de críticas dos leitores. Qualquer pessoa
pode escrever uma crítica sobre um livro na Amazon, e essas críticas ajudam os
clientes a escolhê-lo. Além disso, um sistema de avaliação permite aos
visitantes avaliar quais críticas são úteis e quais não são. Alguns críticos
até ganharam fama, escrevendo centenas de opiniões ao longo dos anos e
conquistando uma legião de seguidores fiéis que fazem compras com base em seus
comentários.
Depois, a Amazon reproduziu o prazer de examinar os livros
oferecendo um serviço de recomendação personalizado. Ela percebeu que, se
alguém está comprando o mesmo livro que outra pessoa comprou, os dois
provavelmente têm interesses e visões em comum. Portanto, esse alguém pode
estar interessado também nos outros exemplares que a outra pessoa comprou.
Assim, o serviço de recomendação pessoal da Amazon reúne dados sobre padrões de
compra para inferir recomendações sobre quem gostaria de qual livro. O
resultado é uma lista ao lado de cada título que informa: “As pessoas que
compraram este livro também compraram os seguintes títulos...”. Isso convida o
usuário a percorrer as prateleiras virtuais da Amazon.
A Amazon também está contornando a última desvantagem do
canal virtual. Agora, é possível folhear o conteúdo, o índice e as primeiras
páginas dos livros. Em 2003, ela expandiu ainda mais o canal virtual lançando o
recurso ‘pesquise dentro do livro’, que permite aos clientes pesquisar todo o
texto de 120 mil livros — praticamente o mesmo número de títulos disponíveis em
uma livraria Barnes & Noble. O serviço é gratuito, embora os clientes devam
se registrar e fornecer um número de cartão de crédito para cadastrar-se na
Amazon. O usuário digita uma palavra, nome ou frase e obtém uma lista das
páginas em que esses termos aparecem.
Além disso, pode-se ver a imagem da página e de duas páginas
anteriores e posteriores a ela, apesar de não ser possível imprimi-las. O canal
Internet permite à Amazon fazer promoções que as livrarias físicas não podem
fazer. No Natal de 2003, por exemplo, a Amazon fez uma promoção de
celebridades: a cada dia alguém famoso — um ator, autor, diretor, músico ou
personalidade da mídia — oferecia de graça um conteúdo on-line exclusivo para
os compradores da Amazon. Michael J. Fox e Jack Black, por exemplo,
apresentaram uma obra de arte inédita. Músicos como Bruce Spring steen
apresentaram trailers de futuros lançamentos de seus shows em vídeo e especiais
‘por trás dos bas tidores’.
A meta da Amazon com a promoção era encantar os
clientes, estimular o tráfego e aumentar as vendas. Para tanto, as celebridades
recomendavam de um a três de seus produtos favoritos disponíveis no site. As
recomendações podiam ser de seus próprios CDs ou filmes, ou algo que elas
gostariam de comprar lá. “A recomendação de produtos feita pelos convidados foi
uma maneira excelente de apresentar aos compradores itens para presente de fim
de ano — mas também uma oportunidade para eles ganharem certa intimidade com
essas celebridades. Foi uma promoção de muito impacto”, conta a
relações-públicas da Amazon, Emily Glassman. Mantendo em segredo a programação
das ‘apresentações’, a Amazon incentivou os compradores a visitar o site
diariamente para ver quem seria o próximo convidado.
A promoção, com a oferta
estendida de produtos e o frete gratuito para pedidos acima de 25 dólares,
proporcionou à Amazon as melhores vendas de fim de ano já registradas. Mais de
2,1 milhões de unidades foram encomendadas em um único dia — 24 itens por
segundo. A Amazon não tem presença no varejo, portanto não precisa se preocupar
com diferenças de preço entre o canal on-line e o canal lojas. Varejistas que
operam nos dois canais, porém, correm o risco de assistir a esse conflito —
quedas de braço entre os canais on-line e lojas físicas quanto à divisão de
custos (por exemplo, de marketing), à competição de preço (se o canal on-line
tem preço menor que o canal físico) e à divisão de lucro (por exemplo, quando
um cliente próximo a uma loja física decide comprar on-line).
Em várias páginas
da Amazon, encontram-se exemplares usados de livros ao lado dos exemplares
novos. Os livros usados são vendidos na verdade por sebos independentes, não
pela Amazon. Por que a Amazon canibaliza seu negócio de novos com a venda de
usados que nem são dela? A resposta é que a taxa de transação e o lucro da
venda de um livro usado não são iguais aos da venda de um livro novo. A venda
de um livro novo proporciona uma receita maior do que ajudar alguém a vender um
usado, mas o custo de vender um novo também é muito maior. No fim das contas,
ajudar os outros a vender livros usados traz mais lucro e mais clientes para o
site da Amazon. A Amazon não teme o canal de varejo. Na verdade, saiu lucrando
ao ajudar varejistas tradicionais como a Target, a Nordstrom e a Toys “R” Us a
ingressar no mundo on-line.
Ela não só recebe uma taxa de serviços pela
abertura do site, como também um percentual sobre as vendas dessas empresas no
canal on-line, o que contribuiu para um aumento de 33 por cento em sua receita
total de 2003. Para a Amazon, o canal não significa comprar no atacado e vender
no varejo, mas, sim criar um canal de serviços de varejo que conecta vendedores
a consumidores.
Fontes: Elizabeth West, “Who’s next?”, Potentials, fev. 2004, p.
7-8; Nikki Swartz, “Amazon.com’s text search revolution”, Information Management
Journal, jan./ fev. 2004, p. 18-19; Chris Taylor, “Smart library”, Time, 17
nov. 2003, p. 68; Cynthia L. Webb, “Amazon’s lump of coal?”,
Washingtonpost.com, 22 out. 2003.

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