sexta-feira, 15 de agosto de 2014

MEGATRENDS 2030 - AS MUDANÇAS GLOBAIS DO MUNDO ATÉ 2030



MEGATRENDS 2030



Global Trends 2030 -Alternative Worlds (Tendências mundiais 2030: novos mundos possíveis)

Tradução de Sebastião Breguez do relatório em francês, jornal Le Monde, Paris, França).

Divulgado documento elaborado para CIA norte-americana para Barak Obama sobre a situação do mundo até 2030.  O documento confidencial que o presidente Barack Obama encontrou na sua mesa de trabalho na Casa Branca no passado dia 21 de janeiro 2013, ao tomar posse do seu segundo mandato, foi publicado com o título: Global Trends 2030 -Alternative Worlds (Tendências mundiais 2030: novos mundos possíveis). 




Quatro pontos principais são abordados no documento:
·        Libertação do indivíduo em busca de novas experiências;
·        Mudanças Demográficas e populacionais a nível mundial;
·        Dispersão da potencia militar dos países mais desenvolvidos atualmente (EUA, França, Inglaterra etc)  (distribuição de força);
·        Problemas ambientais como aumento das catástrofes naturais, crise de energia, falta de água e alimentos

RESUMO

11) As condições climáticas serão caracterizadas por forte aumento das catástrofes naturais como enchentes, secas, tornados e furacões, ondas de frio ou calor e subida do nível do mar.  O mundo viverá estas turbulências com maior frequencia e intensidade.

  2)  A agricultura e a produção de alimentos serão afetadas pelas mudanças climáticas. Estudos científicos recentes mostram que, atualmente, as anomalias de temperatura durante as estações de crescimentotêm afetado a produtividade agrícola.

  3) A  população mundial deverá aumentar para 8,3 bilhões em 2030 (atualmente 7,1 bilhões, 2012). Três tendências irão dominar as mudanças demográficas em nível global: o envelhecimento da população e, consequente, diminuição do número de jovens, o aumento da migração e urbanização rápida (pessoas mudando para as cidades, abandonando o campo). Prevê-se aumento das contribuições previdenciárias, elevação da idade da aposentadoria, redução de pensões, busca de previdência particular e seguro saúde privado em virtude da falência do sistema governamental.

A principal constatação é: o declínio do Ocidente. Pela primeira vez desde o século XV, os países ocidentais estão a perder poder face à subida das novas potências emergentes. Começa a fase final de um ciclo de cinco séculos de dominação ocidental do mundo. Ainda que os Estados Unidos continuem a ser uma das principais potências planetárias, perderão a sua hegemonia econômica a favor da China. E já não exercerá a sua “hegemonia militar solitária” como o faz desde o fim da Guerra Fria (1989). Caminhamos para um mundo multipolar no qual novos atores (China, Índia, Brasil, Rússia, África do Sul) têm como vocação constituir sólidos polos continentais e disputar a supremacia internacional a Washington e aos seus aliados históricos (Japão, Alemanha,Reino Unido, França).

Para ter uma ideia da importância e da rapidez da decadência ocidental que se avizinha, basta assinalar estes dados: a parte dos países ocidentais na economia mundial vai passar dos atuais 56% para cerca de 25% em 2030... Ou seja, em menos de vinte anos, o Ocidente perderá mais de metade da sua preponderância econômica... Uma das principais consequências disto é que os Estados Unidos e os seus aliados já não terão provavelmente os meios financeiros para assumir o papel de polícias do mundo... De tal modo que esta mudança estrutural (somada à profunda crise econômico-financeira atual) poderá conseguir o que nem a União Soviética nem a Al Qaeda conseguiram: debilitar durante muito tempo o Ocidente.

Segundo este relatório, a crise na Europa durará pelo menos um decênio, isto é, até 2023... E, sempre segundo este documento da CIA, não é seguro que a União Europeia consiga manter a sua coesão. Enquanto isso se confirma a emergência da China como a segunda economia mundial e com vocação para se converter na primeira. Ao mesmo tempo, os demais países do grupo chamado BRICS (Brasil, Rússia, Índia e África do Sul) instalam-se em segunda linha competindo diretamente com os antigos impérios dominantes do grupo JAFRU (Japão, Alemanha, França, Reino Unido).

Em terceira linha, aparece agora uma série de potências intermédias, com demografias em alta e fortes taxas de crescimento econômico, chamadas a se converter também em polos hegemônicos regionais e com tendência a se transformar num grupo de influência mundial, o CINETV (Colômbia, Indonésia, Nigéria, Etiópia, Turquia, Vietnã).

Mas de hoje a 2030, no Novo Sistema Internacional, algumas das maiores coletividades do mundo já não serão países, mas comunidades congregadas e vinculadas entre si pela internet e pelas redes sociais. Por exemplo, ‘Facebooklândia’: mais de um bilhão de usuários... Ou ‘Twitterlândia’, mais de 800 milhões... Cuja influência, na “guerra dos tronos” da geopolítica
mundial, poderá revelar-se decisiva. As estruturas de poder esmaecer-se-ão graças ao acesso universal à rede e ao uso de novas ferramentas digitais.

A este respeito, o relatório da CIA anuncia o aparecimento de tensões entre os cidadãos e alguns governos numa dinâmica que vários sociólogos qualificam de ‘pós-políticas’ ou ‘pós-democráticas’... Por um lado, a generalização do acesso à rede e a universalização do uso das novas tecnologias permitirão à cidadania atingir altas quotas de liberdade e desafiar os seus representantes políticos (como durante as primaveras árabes ou na crise dos “indignados”). Mas, ao mesmo tempo, segundo os autores do relatório, estas mesmas ferramentas eletrônicas proporcionarão aos governos “uma capacidade sem precedentes para vigiar os seus cidadãos”.

“A tecnologia – acrescentam os analistas de Global Trends 2030 – continuará a ser o grande nivelador, e os futuros magnatas da internet, como poderá ser o caso do Google e do Facebook, possuem montanhas de bases de dados, e manejam em tempo real muito mais informação que qualquer governo”. Por isso, a CIA recomenda à administração dos Estados Unidos que faça frente a essa ameaça eventual das grandes corporações da internet ativando o Special Collection Service, um serviço de espionagem ultra-secreto – administrado conjuntamente pela NSA (National Security Service) e o SCE (Service Cryptologic Elements) das Forças Armadas – especializado na captação clandestina de informações de origem eletromagnética. O perigo de que umgrupo de empresas privadas controle toda essa massa de dados reside, principalmente, em que poderia condicionar o comportamento em grande escala da população mundial e inclusive das entidades governamentais. Também se teme que o terrorismo jihadista seja substituído por um ciberterrorismo ainda mais surpreendente.

A CIA toma tão a sério este novo tipo de ameaças que, eventualmente, o declínio dos Estados Unidos não terá sido provocado por uma causa externa,mas por uma crise interna: o colapso econômico ocorrido a partir de 2008. O relatório insiste em que a geopolítica de hoje deve interessar-se por novos fenômenos que não possuem forçosamente um carater militar. Pois, ainda que as ameaças militares não tenham desaparecido (veja-se as intimidações
armadas contra a Síria ou a recente atitude da Coreia do Norte e o seu anúncio de um possível uso de armas nucleares), os perigos principais que ocorrem hoje nas nossas sociedades são de ordem não militar: mudança climática, conflitos econômicos, crime organizado, guerras eletrônicas, esgotamento dos recursos naturais...

Sobre este último aspecto, o relatório indica que um dos recursos que mais aceleradamente se está a esgotar é a água doce. Em 2030, cerca de 60% da população mundial terá problemas de abastecimento de água, dando lugar ao aparecimento de “conflitos hídricos”... Quanto ao fim dos hidrocarbonetos, a  CIA mostra-se, pelo contrário, bem mais otimista que os ecologistas. Graças às novas técnicas de fraturação hidráulica, a exploração do petróleo e do gás de xisto está a atingir níveis excepcionais. Os Estados Unidos já são autossuficientes em gás, e em 2030 sê-lo-ão em petróleo, o que embaratece os seus custos de produção manufatureira e exorta à relocalização das suas indústrias. Mas se os Estados Unidos – principal importador atual de
 hidrocarbonetos– deixar de importar petróleo, é de prever que os preços caiam significativamente. Quais serão então as consequências para os atuais países exportadores?

No mundo para que vamos, cerca de 60% das pessoas viverão, pela primeira vez na história da humanidade, nas cidades. E, como consequência da redução acelerada da pobreza, as classes médias serão dominantes e triplicar-se-ão, passando de 1.000 para 3.000 milhões de pessoas. Isto, que em si é uma revolução colossal, acarretará como sequela, entre outros efeitos, uma mudança geral nos hábitos culinários e, em particular, um aumento do consumo de carne à escala planetária. O que agravará a crise ambiental. Porque multiplicar-se-á a criação de gado, de porcos e de aves; e isso supõe um aumento do gasto de água (para produzir alimentos), de pastos, de adubos e de energia, com repercussões negativas em termos do efeito de estufa e do aquecimento global...

O informe da CIA anuncia também que, em 2030, os habitantes do planeta serão 8.400 milhões, mas o aumento demográfico cessará em todos os continentes menos em África, com o consequente envelhecimento geral da população mundial. Pelo contrário, o vínculo entre o ser humano e as tecnologias de prótese acelerará a criação de novas gerações de robôs e o aparecimento de super-homens” capazes de proezas físicas e intelectuais inéditas.

O futuro é poucas vezes previsível. Não é por isso que há que deixar de o imaginar em termos de prospectiva, preparando-nos para atuar perante diversas circunstâncias possíveis, das quais uma só se produzirá. Ainda que já  tenhamos advertido que a CIA tem o seu próprio ponto de vista subjetivo sobre a marcha do mundo, condicionado pelo prisma da defesa dos interesses
norte-americanos, o seu relatório tetranual não deixa de constituir uma ferramenta extremamente útil. A sua leitura ajuda-nos a tomar consciência das rápidas evoluções em curso e a refletir sobre a possibilidade de cada um de nós para intervir e para fixar o rumo. Para construir um futuro mais justo.
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